AUGUSTE COMTE

12/02/2010 16:15
1. Vida

Nascido no dia 19 de janeiro de 1798, em Montpellier, Sul da França, o filósofo Augusto Comte é considerado o fundador da Socilogia e do Positivismo. Seu interesse pelas ciências naturais era conjugado pelas questões históricas e sociais. Aos 16 anos ingressou na Escola Politécnica de Paris. Foi secretário do conde Henri de Saint-Simon, expoente do socialismo utópico, entre os anos de 1817 e 1824. São dessa época algumas fórmulas fundamentais: "Tudo é relativo, eis o único princípio absoluto" e a famosa "lei dos três estados": "Todas as concepções humanas passam por três estágios sucessivos - teológico, metafísico e positivo -, com uma velocidade proporcional à velocidade dos fenômenos correspondentes".

Em 1826, Comte sofre um colapso nervoso em virtude de problemas conjugais. Recuperado, começa a trabalhar na redação do Curso de filosofia positiva que é posteriormente, em 1848, renomeado para Sistema de filosofia positiva. Em 1842 perde o emprego de examinador de admissão à Escola Politécnica por criticar a corporação universitária francesa. No mesmo ano, Comte separa-se de Caroline Massin, após 17 anos de casamento. Entre 1851 e 1854 Comte redigiu o Sistema de política positiva, abordando algumas das principais conseqüências de sua concepção de mundo não-teológica e não-metafisica, propondo uma interpretação pura e plenamente humana para a sociedade e sugerindo soluções para os problemas sociais.

Em 1856, publicou o livro Síntese subjetiva, que tratava de questões específicas das sociedades humanas: lógica, indústria, pedagogia, psicologia.

Comte falece, possivelmente de câncer, em 5 de setembro de 1857, em Paris. Sua última casa, na rua Monsieur-le-Prince, nº 10, foi transformada no Museu Casa de Augusto Comte.

2. Dentre as obras deixadas por Auguste Comte, podemos citar:

· Opúsculos de Filosofia Social

· Curso de filosofia positiva

· Discurso sobre o espírito positivo

· Discurso sobre o conjunto do Positivismo

· Sistema de política positiva

· Catecismo positivista

· Apelo aos conservadores

· Síntese subjetiva

· Correspondência

3. A filosofia positiva

A filosofia positiva de Comte nega que a explicação dos fenômenos naturais, assim como sociais, provenha de um só princípio. Esta visão positiva dos fatos desconsidera as causas dos fenômenos (Deus ou natureza) e pesquisa suas leis, vistas como relações abstratas e constantes entre fenômenos observáveis.

Para Comte, a Matemática, a Astronomia, a Física, a Química e a Biologia, segundo critérios histórico e sistemático, atingiram a positividade. Assim como nessas ciências, a sua nova ciência inicialmente chamada de física social e posteriormente Sociologia, Comte usaria a observação, a experimentação, a comparação e a classificação como métodos para a compreensão da realidade social. Para o filósofo, os fenômenos sociais podem e devem ser percebidos como os outros fenômenos da natureza, obedecendo a leis gerais. Entrentanto, sempre insistiu e argumentou que isso não equivale a reduzir os fenômenos sociais a outros fenômenos naturais.

Dessa forma, para Comte há um método geral para a ciência (observação subordinando a imaginação), mas não um método único para todas as ciências; além disso, a compreensão da realidade lida sempre com uma relação contínua entre o abstrato e o concreto, entre o objetivo e o subjetivo.

Além da realidade, outros princípios caracterizam o Positivismo: o relativismo, o espírito de conjunto e a preocupação com o bem público (coletivo e individual). Na obra "Apelo aos conservadores", Comte apresenta sete definições para o termo "positivo": real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático.

Em resumo, Comte afirma que deve-se conhecer a realidade para saber o que acontecerá a partir de nossas ações, para que o ser humano possa melhorar sua realidade. Dessa forma, a previsão científica caracteriza o pensamento positivo.

4. A lei dos três estados

Segundo o marquês de Condorcet, a humanidade avança de uma época bárbara e mística para outra civilizada e esclarecida, em melhoramentos contínuos e, em princípio, infindáveis - sendo essa marcha o que explicaria a marcha da história.

A partir desta percepção, Comte formulou a Lei dos Três Estados. Observando a evolução das concepções intelectuais da humanidade, Comte percebeu que essa evolução passa por três estados teóricos diferentes: o estado 'teológico' ou 'fictício', o estado 'metafísico' ou 'abstrato' e o estado 'científico' ou 'positivo'.

4.1. Estado teológico ou fictício:

Os fatos observados são explicados pelo sobrenatural, por entidades cuja vontade arbitrária comanda a realidade. A fase teológica tem várias subfases: o fetichismo, o politeísmo, o monoteísmo.

4.2. Estado metafísico ou abstrato:

Pesquisa-se diretamente a realidade. Ainda com resquícios do sobrenatural, a metafísica é uma transição entre a teologia e a positividade. O que a caracteriza são as abstrações personificadas, de caráter ainda absoluto: "a Natureza", "o éter", "o Povo", "o Capital".

4.3.. Estado científico ou positivo:

Ocorre o apogeu do que os dois anteriores prepararam progressivamente. Os fatos são explicados segundo leis gerais abstratas, de ordem inteiramente positiva. Ficam de lado o absoluto (que é inacessível) e busca-se o relativo.

Cada um desses estágios representa fases necessárias da evolução humana, em que a forma de compreender a realidade conjuga-se com a estrutura social de cada sociedade, contribuindo para o desenvolvimento do ser humano e de cada sociedade.

5. A Religião da Humanidade

Comte não considerava os termos "religião" e "teologia" sinônimos. Para ele, a religião refere-se ao estado de unidade humana (psicológica, espiritual e social), já a teologia refere-se à crença em entidades sobrenaturais.

Considerando o caráter histórico e a necessidade de unidade do ser humano, a Religião da Humanidade incorpora nela a teologia e a metafísica - respeitando, reconhecendo e celebrando o papel histórico desempenhado por esses estágios provisórios, absorvendo o que eles têm de positivo.

No Brasil, o Positivismo religioso encontrou grande aceitação no século XIX e XX, embora com menor intensidade neste último, e teve grande importância durante a campanha "O petróleo é nosso!", cujo vice-Presidente era o positivista Alfredo de Moraes Filho, e durante o processo de impeachment do ex-Presidente Fernando Collor de Mello, em que o Centro Positivista do Paraná também solicitou, assim como a Ordem dos Advogados do Brasil e Associação Brasileira de Imprensa, o afastamento do Presidente da República.

 

FONTE:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Auguste_Comte